MELHORIAS ANULADAS?
Ao folhear as páginas dos jornais, ou mesmo assistir aos noticiários de TV, não raras vezes os pecuaristas de nosso país têm se deparado com aumentos constantes nos índices de inflação. Se não bastasse sofrerem como consumidores, os criadores estão sendo também abalados fortemente na sua atividade financeira. Segundo dados da Scot Consultoria, no primeiro semestre deste ano, os reajustes nos índices de inflação foram maiores para quem trabalha no agronegócio em detrimento do restante da população.
Uma das maiores reclamações tem sido o aumento dos custos de produção, que em alguns casos faz o criador pensar que os ganhos obtidos com os últimos aumentos da arroba foram praticamente anulados. Há quem acredite que o sal mineral é o grande vilão, já que os custos com mineralização animal subiram cerca de 300% nos dois últimos anos. Além disso, também são apontados como culpados a baixa oferta de bezerros, que encareceu a reposição do rebanho, e também a queda da renda do produtor, que não cobriu as elevações de preço no setor.
Justamente com essa sensação de “perda”, muitos criadores se vêem no meio de um dilema: investir mais – e gastar mais – para poder vislumbrar um retorno maior, ou racionalizar ao máximo os recursos que dispõe para retirar o máximo de proveito deles . Uma situação complicada, que provoca muitos debates. Tudo isso por conta da tantas altas, que fizeram com que o primeiro trimestre deste ano fosse o “mais caro da história para se produzir bois”, segundo dados da CNA.
Apesar do cenário crítico, algumas ações têm tentado reverter esse quadro. O governo anunciou mês passado uma redução de alíquotas para facilitar a importação de fosfato. A intenção, segundo o Mapa, é reduzir a zero a tarifação sobre o ácido fosfórico e o fosfato bicálcio, dois importantes componentes utilizados em fertilizantes, largamente utilizados em pastagens de todo o país. Ainda assim, segundo especialistas, a melhor saída ainda é planejar, o que certamente demanda uma maior capacitação por parte dos profissionais do agronegócio. A hora é de se atualizar para fazer frente às novas dificuldades.
Postado em: 12/09/2008 [ voltar ] |